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terça-feira, 19 de junho de 2018

Era uma vez...


Once upon a time...
Uma velha cidade amurada era a anos assolada por uma praga misteriosa. A natureza da praga era desconhecida, mas sabia-se que carregava sintomas de lepra, com necrose e perda de membros, no entanto, as feridas ficam purulentas, cobertas por um tecido mole e corrimentos de viscos.
Josias era apenas mais uma vítima dessa maldição, com a perda da orelha esquerda e com as erupções no rosto, não conseguia mais emprego, e fora a muito expulso de casa. Os dias nas ruas eram indiferentes, por isso não os contava mais.
Naquela manhã, Josias roubara um pouco de feno, enlouquecido pela fome, mas logo percebera seu erro, por isso usou-o para forrar o chão. O sol havia sido cruel durante a tarde, mas ficar deitado reduzia as dores da doença e o feno oferecia um mínimo de conforto, apesar de tudo.


By: Thesla
Somente quando a lua era alta pode observar seus arredores, e viu-se num beco de muros de pedra, deserto. Somente a parede em que recostava exibia qualquer traço de vida, uma cerca viva de videiras grossas e bastante verdes. Aquela visão oferecia um pouco de paz a sua alma atormentada. Adormeceu.
Era ainda madruga quando sentiu o corpo preso, apertado num abraço fio e ressecado. Abriu os olhos e se viu amarrado, as videiras o cercavam e arrastavam para dentro do muro, como uma boca faminta. Tentou gritar, mas a garganta ressecada não permitiu, então arregalou os olhos, com a maior expressão de medo que pode produzir.
Num piscar de olhos, a rua havia sumido, e estava livre novamente, mas livre aonde? Ficou de pé tateando a escuridão. Paredes de pedra e um chão liso sob os pés descalços. De repente, um degrau. Foi então que tochas começaram a acender, iluminando o caminho.
Josias estava agora dentro de uma escadaria que descia sinuosamente. Não havia entrada, por isso, seria obrigado a seguir os degraus até onde eles o levassem.
Desceu o último degrau e se deparou com uma sala estranha. Parecia um salão circular, como uma grande sala de jantar de castelo, mas não havia móveis. Tampouco havia tochas, mas o local era muito bem iluminado com um brilho alaranjado que parecia vir de baixo do chão de cristal. O teto era de cerâmica e carregava uma pintura de dois bravos cavaleiros em um combate mortal.
Só depois de muito tempo observou a figura estranha que o encarava com olhos raivosos.
-Quem é você e o que faz aqui? – perguntou a mulher com o rosto coberto por um véu.
-Sou apenas um pedinte, estava dormindo na rua quando vim parar aqui. – Respondeu Josias, ainda confuso com o que acontecera.
Ele observava a moça, e logo percebeu pelas vestes que se tratava de uma bruxa. Ela carrega um conjunto de frascos e poções amarradas na cintura, juntamente com um saco que parecia ser de ervas, seus pés e cabelos pareciam sujos de terra, sua roupa rasgada tinha folhas enroscadas no tecido e nos dedos, carregava anéis de gemas presas por raízes trançadas.
- E o que quer comigo? Vociferou a mulher.
-Me desculpe, não quero nada, estou apenas perdido. - Disse o homem apavorado. Embora ele não soubesse, a bruxa estava tão irritada porque estava presa há séculos e pensava que ele pudesse ter vindo atormentá-la.
-Então talvez possamos nos ajudar, não há saída deste inferno, a menos que você possa ler essas palavras- disse ela apontando para o único objeto na sala, um livro a seus pés.
Josias havia sido bibliotecário real antes da praga, por isso, era muito bem letrado, ao contrário da pobre mulher, que mal conhecia as letras. O homem pegou o livro e logo começou a pronunciar aquelas balburdias de outro idioma. Prontamente um corredor se abriu, com uma nova escada descendente. A bruxa respirou fundo e imediatamente desapareceu.
Josias estava novamente sozinho, então decidiu seguir o caminho que surgira diante dele. Dessa vez, as paredes não eram tijolos de pedra, eram estalactites de uma caverna, e as tochas estavam mais distantes dificultando enxergar o caminho.
Quando chegou ao fundo encontrou novamente a mulher, mas dessa vez ela carregava uma grande lanterna a óleo.
- Para sair daqui, você terá que passar por aquela porta,- disse ela apontando para a direita, onde havia uma velha porta de madeira apodrecida- mas se o fizer, - ela ergue a lanterna- acordará esta criatura.- e a luz difusa revelou um grande bloco de gelo, com um fóssil reptiliano preso bem no meio.


by: Thesla
Nem a criatura nem o sorriso de canto da bruxa importavam para Josias, a doença já o corroía, aquilo não poderia assustá-lo. Correu e atravessou desesperadamente a porta, caindo de joelhos na mesma rua que adormecera.
Mesmo com o esfolado, o homem correu desesperadamente pela rua, agora que o medo o atingira. Josias gritava sobre um monstro, mas gritaria era comum para os doentes, por isso ninguém dava atenção.
Em pânico, Josias abordou dois guardas, tentando informar sobre o que vira, mas eles se entreolharam desconfiados, prontos para espantar mais um “maluco”. No entanto, antes de estenderem as alabardas, olharam para os céus.
Era início da manhã, o sol havia aparecido a pouco, mas começava a escurecer. Grandes nuvens formavam uma espiral de olho negro sobre a cidade, bem no meio da temporada de estiagem. Logo se ouviu um grande estrondo e, na praça central, os lajedos de pedra talhada começaram a erguer-se, como se uma erupção fosse romper bem no centro da cidade.
Ouvindo o barulho, os guardas abandonaram o doente e correram para averiguar a situação.
Lama e barro emergiam rapidamente num monte fétido por entre os lajedos cinzentos, e de repente, uma criatura cadavérica serpenteou para fora da podridão, ressonando num barulho gutural extremamente ameaçador. Como se por um feitiço, todos os doentes pararam, hipnotizados pela sinistra melodia.
Mathias, o guarda veterano, olhou no fundo os olhos de seu parceiro, e pousando a mão no ombro do companheiro, deu o sinal para que atacassem a criatura, mas enquanto apontavam suas alabardas, sentiram o toque viscoso de dezenas de doentes, correndo por cima deles, tentando alcançar de qualquer maneira aquele réptil fossilizado.
Os guardas acabaram mortos, atropelados pela massa de carne pútrida que se agarrava nos ossos expostos da criatura, se contorcendo e deformando, aos poucos preenchendo o que faltava naquele animal.
A criatura nem era tão grande assim, cinco metros de comprimento, mas parecia nunca se completar. Quando quase todos os contaminados das ruas foram absorvidos, ela começou a violentamente invadir as casas, propagando gritos e pânico.
Nesse momento, emergia, da mesma pústula de lama e podridão que a criatura surgiu, uma figura feminina, a bruxa que outrora estava presa com Josias, sorrindo e cantarolando.
Quando Josias passou por ela, prestes a abraçar o corpo do monstro, ela o interrompeu, com um sonoro beijo na bochecha purulenta, em um agradecimento impiedoso.
Mais guardas fecharam a passagem na rua principal, mas a essa altura, mais da metade da cidade já havia se perdido. A criatura se ergueu às costas da moça, e rugiu com seu hálito insalubre, enquanto a bruxa tirava de sua sacola penas ensanguentadas.
Cada pena que ela lançava ao vento se transformava em um pequeno bando de corvos famintos. Os corvos atacaram os guardas, quebrando sua devesa, e então a massa de vísceras reptiliana atacou, assassinando a todos.
Mas a violência não parou, a bruxa continuou a atirar penas, até que uma grande nuvem de pássaros negros estivesse sobre a cidade, alimentando-se de todos que ali estavam. Então, era hora de marchar sobre o castelo.
Invadindo a muralha interna, sob um sinal de mão da mulher, a Serpente pútrida se ergueu novamente, abrindo o próprio rosto ao meio, dividindo-se em duas criaturas.
O palácio caiu rapidamente, com os corvos dilacerando a corte. Não havia necessidade de discurso, não havia necessidade de antagonizar o rei, aquela vingança era impessoal, direta, e a bruxa não perderia tempo com monólogos de vitória. Ela então subiu a escada da torre mais alta, saindo diretamente para um jardim de terraço.
Daquele jardim verde, ela observou sua obra. Enquanto os pássaros imundos decoravam o horizonte, a bruxa sorriu feliz, pois sua profecia de vingança havia se cumprido. Ela então abandonou aquele maldito lugar e foi para casa... ... em paz.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Raven e seus causos #5: hora de jogar na mega!

   Aloha, queridos amigos, leitores, colegas e simpatizantes. UEHEUHEUEHEUH. Aqui é a Raven Franzina querendo contar mais um de seus causos cômicos, pra não dizer tristes, né nom? O lado positivo é que minhas peripécias acabam se tornando algo divertido pra compartilhar com vocês, então espero que continuem me acompanhando por essa árdua jornada da vida. Até porque esse post é da série: podia ser fanfic, mas é minha vida.



    Sinceramente, não sei nem por onde começo... Creio que já comentei com vocês que os dias para mim vem sido extremamente corridos porque eu estou fazendo aulas de direção pra CNH. Então, ontem a noite eu coloquei o despertador para às 7hrs e deitei às 22hrs. Deitei mesmo, meu objetivo principal que era dormir, eu não consegui.

   As horas foram se passando, lá paras as 3hrs eu até considerei virar a noite, com medo que eu não fosse acordar, mas decidi que não tinha como eu não acordar com o despertador chato do meu celular e que, mesmo um descanso de 4hrs já ajudaria muito. Eu estava preocupada, porque terça-feira eu perdi duas aulas do simulador porque não consegui acordar a tempo, tendo assim que pagar R$30,00 por não ter ligado pra desmarcar com antecedência. Mal sabiam que eu tinha a intenção de ir.

   Creio que umas 5hrs eu consegui dormir e dormi profundamente, acordando apenas com o meu celular acendendo na minha cara... Tinha alguém me ligando. Eu acordei em um pulo e me dei conta que eram 8:38, sendo que minha aula era às 8:30...



   Atendi o celular e disse para as meninas da auto escola que eu já estava a caminho, quando deu 8:43 eu já estava na rua, descabelada, correndo, segurando o choro, porém, o Centro de Condutores ficava a uma caminhada de 30 minutos da minha casa e, se eu não chegasse antes das 9:10, eu perderia a segunda aula, somando mais R$30,00 pra eu desembolsar em pura irresponsabilidade da minha parte. E, se tem uma coisa que eu odeio é gastar dinheiro atoa.

   Enquanto eu corria, desesperadamente, pelas ruas, ligava para o moto táxi para me encontrar algumas ruas na frente. Eu cheguei no ponto combinado e nada do moto taxista, deu tempo de eu me recuperar da corrida até a hora que ele chegou, já eram 8:57.

   A moto taxista estava até com uma sacola com sua marmita pendurada no retrovisor da moto e não parecia estar com muita pressa, mesmo eu tendo dito que era uma urgência. Felizmente, eu estudo em uma cidade pequena. Porque eu me encontrei com ela exatamente na rua que ficava o Centro de Condutores (CC pros mais íntimos) E ELA TEVE A AUDÁCIA DE VIRAR EM ALGUMAS RUAS SENDO QUE ELA PODIA APENAS SEGUIR RETO!



   Cheguei na aula eram 9:04, aproximadamente. Cheguei lá e minha instrutora já foi dar início a minha segunda aula. Maaaaaas é claro que não ia ser tão fácil. O sistema não tava querendo reconhecer o cartão dela. Ia chegando cada vez mais perto das 9:10 e meu orifício anal (sou uma lady, não falo palavrão) já encontrava-se na palma da minha mão. Felizmente, ela colocou a aula pras 9:15 e deu tempo de abrir.

   Quando completei meus primeiros 11 minutos no simulador... O sistema parou! E sabe qual é a melhor parte? Eu não podia sair do simulador enquanto a aula não fosse encerrada. E como encerrar uma aula em um simulador parado? Não encerra. Fiquei com a bunda colada naquela poltroninha por mais de uma hora, sem celular, sem ter com quem conversar, sem Netflix, sem nada. Não sei como me mantive sã. Talvez porque eu estava com tanto sono, que devia estar dormindo de olho aberto.

   Cada aula demora meia hora para serem completas, fiquei uma hora e quarenta minutos pra ser computada apenas uma aula e eu precisar voltar depois. Mas por ser falha de sistemas, não vou precisar pagar essa aula perdida.



   Caminhei meus 2,5km de volta pra casa, pra almoçar meu miojinho amigo de toda hora e voltar para minha aula prática de moto em um local que, a propósito, fica próximo de onde eu estava, mas tendo uma somatória de R$45,00 já pra pagar pra auto escola, não tinha como eu parar pra comer no centro.

   Não deu tempo nem pro banho, tirei a calça e coloquei um short, porque estava fazendo um calor da pega e eu tinha passado a manhã inteira de calça, e fui pra Auto Escola. Comecei a fazer minha aula de moto normalmente, mas 10 minutos após o início da aula, começou a chover e meu instrutor já me levou de volta pra auto escola. Onde tive que esperar pra dar o horário e voltar pra casa.

   Ainda bem que levei meu guarda-chuva, porque após mais uma caminhada de 2,5km pra chegar em casa, meu tênis, meias e short estavam ensopados. Inclusive, meus pés incharam por causa da caminhada com meias molhadas, não sei porque.



   Chegando em casa, dei aqueles minutinhos pra descansar a alma depois de um dia turbulento e fui tomar meu banho quente pra ir pra faculdade depois. Mas qual não foi a minha surpresa ao me dar conta que eu havia perdido o ônibus. Nessa altura do campeonato, eu não queria saber de mais nada, joguei tudo pro alto e enfiei minha cara no travesseiro, querendo saber apenas de ficar em casa.

   Eu achava que meu dia tinha chegado no fim, mas alguém tava me ligando, eu vi de primeira e deixei pra lá, pensei que se fosse importante a pessoa ia ligar de novo... E não é que ligou? Imagina minha cara quando ouvi: "Nat, você não vem pra reunião da comissão de formatura?". Eu não sabia se eu ria ou chorava, fiquei tão paralisada que quase virei um totem.

   Ao desenrolar da história, grazadeus, meu amigo veio me buscar e fomos juntos para a reunião e depois para a aula. Por isso eu estou pensando, será que se eu jogar na mega não ganho? Afinal, depois de tudo isso, uma sorte grande tem que compensar. UEHUEEHUEHEUHEUEHUEH. Apesar de eu estar rindo agora, passei a maior parte do dia querendo chorar, então, sejam bons comigo pelos próximos dias.



   Enfim, esse foi meu causo comprido da vez, espero que não desanimem e não deixem de ler só porque está comprido, eu preciso de pessoas que saibam como é sofrida essa vida de azarada. HAHAHAHAHAHAHAHAHA. Não se esqueçam de deixar os comentários de vocês, alguma coisa pra me animar, ou um pedido pro próximo post, estou aceitando sugestões. Obrigada pela atenção.

Deixarei os links dos últimos causos pra vocês: Causo 1, Causo 2, Causo 3 e Causo 4.

sábado, 6 de agosto de 2016

Raven e seus causos #3: Assediada por um senhor de 60 anos

   Aloha, queridos amigos e leitores. Estou de volta e desisti de falar dos motivos que me fazem sumir, não farei mais promessas que não posso cumprir também. Como muitos sabem, já que o corvo mencionou no último post, estou jogando Pokémon GO e esse post é mais ou menos relacionado a isso. Não vou começar com minhas usuais piadinhas sem graça ou risadas extravagantes, porque o que tenho que falar não é lá muito divertido.

Foto meramente ilustrativa, não se trata desse senhor especificamente.
   Esse causo inicia-se comigo passeando em um praça da cidade onde estudo. Já que era uma tarde ensolarada de 30 graus, encontrava-me de regata e short jeans. Decidi estar simples, porque tinha em minha posse um ovo de 5 km e isso requer caminhar pra caraio.

   Enquanto capturava um Rattata no conforto da sombra de uma das árvores, um senhor de idade se aproximou de mim, falando pra eu tomar cuidado, pois a árvore estava carregada de frutas que pareciam mais com cocos (mas não sei de qual fruta se tratava) e que, há alguns dias, uma delas tinha caído na cabeça de outra mulher. Infelizmente, sempre respondo pessoas de idade com um grande sorriso no rosto e, talvez, esse tenha sido meu pecado.

   Ele começou elogiando minha boa educação, que era difícil encontrar jovens que escutem os idosos e etc. Contou que estava viúvo e chorava muitas vezes por sentir falta da companhia e beleza de sua falecida esposa. Fez-se de coitado para que eu sentisse dó e fizesse companhia. Por eu ser uma idiota de coração mole, me senti triste por ele e, ao invés de continuar andando, emprestei meus ouvidos.

   Esse senhor, ao perceber minha receptividade, aproveitou-se para prolongar a conversa, puxando outros assuntos, em sua maioria, fofocas. Porém, a prosa começou a ficar mais densa e mais difícil de ser tolerada. Por exemplo, a história de seu vizinho "loirinho" casado com uma "loirinha orgulhosa" que o traiu com um "negão", como insistia em dizer. "Sou católico, não acredito nessas coisas, mas parece até que ele tinha feito um feitiço nela, é difícil de acreditar", lembrando que seu posicionamento era de incredulidade. Quando ele se mostrou racista, meu sorriso passou a ter um aspecto mais torto, como quando nos forçamos a sorrir ao estarmos onde não gostaríamos.

Praça da cidade onde estudo.
   Ele foi me contar do filho que traiu a esposa "que parece uma princesa" por uma "pioienta" de 21 anos, baixinha, gordinha e feia. "As garotas de hoje em dia são muito fáceis", afinal, ela que era solteira tinha mais culpa que o rapaz que era casado. O tempo e o espaço ficaram confusos pra mim, parecia que ele não ia parar de falar nunca e a sensação era de que ele estava cada vez mais perto de mim.

   Ele contou sobre uma vizinha, que seria minha chará, "uma garota belíssima, branquinha, mas você não vai acreditar! Ela é gay!", ele contou abismado. Eu apenas comecei a encarar o vazio.

   Não sei se o meu desconforto era muito óbvio, mas outro senhorzinho passou a circular perto da gente e a encarar o meu assediador. Eu só queria sair de perto dele, tudo que ele fazia já estava me irritando, até mesmo sua mania de tirar o chapéu, creio que o santo não bateu.

   Ele passou a falar de suas ex namoradas. Mas, pera, ele não chorava pela esposa? "Se as pessoas acham que eu permaneci virgem durante esses cinco anos, não vou mentir, eu tive as minhas namoradas, eu namorei muito hahahahahaha", ele começou a passar a mão em meu braço, com frequência.

   "Ela era branquinha e tinha o cabelo escuro igual ao seu", disse passando a mão em meu cabelo. E eu já estava trêmula. 



   "Eu dava dinheiro para ela, ela nunca pediu, mas ela não quis devolver uma foto minha, lembrança de quando eu era jovem, isso quer dizer que, mesmo ela tendo 31 e eu 60, ela sentia algo por mim, certo?", segurou minha mão, que estava pousada em minha coxa, logo, a dele passou a estar lá também. Obviamente, me reposicionei. Mas, com tudo que estava acontecendo, eu não conseguia nem falar direito e, quando falava, não sabia bem o que estava dizendo.

   "Nossa que tatuagem bonita! O que é?", disse alisando minha coxa, onde se encontra a tal tatuagem, o que me causou ânsia e nojo. O ódio começou a subir enquanto eu tentava imaginar como que um gesto de educação conseguiu me meter nesse tipo de situação.

   Quando eu insisti que tinha que ir, "ah, não converse mais um pouco comigo", disse, segurando minha mão. Eu reforcei que precisava almoçar e ele ofereceu pagar algo pra eu comer e uma cervejinha, mas rebati falando que não bebo e que já tinha comida na pensão que moro. Ele queria que eu fosse visitá-lo em sua casa, ou "mansão" (como fazia parecer), insistia que eu fosse, dizia que tinha uma igreja evangélica logo em frente e apertava forte minha mão, não deixava eu me soltar. 

   Após 30 minutos nesse pesadelo que parecia não ter fim nunca, ele só me deixou ir após eu fingir que anotei o número de celular dele. Tive que fazer todo um teatro, dizendo que ia ligar sim, mas (obviamente) não o farei e jamais irei visitá-lo.

   Eu sei que eu pareço patética, também me sinto um pouco assim, um pouco humilhada por não ter tido uma reação boa o suficiente, mas apenas não sabia o que fazer. Simplesmente não consegui ser grossa ou durona com alguém de idade e não sei informar se foi mais pelo choque ou por educação com os mais velhos mesmos. Em todo caso, na minha cabeça, tudo que eu queria era empurrá-lo e sair correndo, ou mandar ele a merd*.



   Eu não havia feito mal a ninguém, nem nada de errado, apenas saí para capturar alguns Pokémons e chocar um ovo no jogo. Afinal, a culpa foi minha? O que você teria feito de diferente? Estou aberta a conselhos, críticas, ou qualquer coisa do gênero. Aguardo os comentários de vocês e desculpa o post longo.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Raven e seus causos #2: eu vs ladrão jumento!

   Boa tarde, queridos amigos e leitores aqui do blog! Com o sucesso que foi o último post, decidi voltar a contar pra vocês minha visão sobre os acontecimentos e desastres pelos quais passo no dia-a-dia. Mas, pra manter sempre a positividade, vejo o lado bom de tudo e completo com meu humor. HAHAHAHAHA. Espero que gostem.



   Bom, em um domingo de muito calor, eu tava pagando de bonita pro meu irmão e decidi levar ele pra tomar um milkshake. Como abriu recentemente uma sorveteria da rede Chiquinho consideravelmente perto de casa, sendo que eu adoro os sorvetes de lá, juntei o útil ao agradável.

   No final das contas, eu nem pedi nada, porque eram 10 reais um milkshake grande. Deixei o meu irmão escolher o que queria. Pior decisão possível! Ele escolheu sabor menta! ISSO MESMO! Tendo Nutella, Ovomaltine, o caralh* a 4 pra se escolher, ELE OPTOU POR MENTA! Ou seja, não deu nem pra aproveitar um pouco do milkshake dele. Paguei e viemos andando pra casa.

   Chegamos na rua de uma igreja, onde dava pra ouvir o povo ensaiando as músicas. Quando avistei (não muito bem, porque estava sem óculos) um rapaz de bermuda tactel vermelha e camiseta polo listrada de verde e branco. Pensei comigo mesma: "será que eu deveria atravessar?". Decidi que eu estava sendo muito preconceituosa, não é só porque o cara tinha zero senso de moda e bom gosto que ele ia ser um ladrão.



   Eis que aconteceu a prova de que eu não deveria pensar muito nas coisas, porque só dá merda! Exatamente isso que vocês estavam desconfiando! O cara era um gatuno (essa palavra HEHEHEHEHE). Não sei se tem relação direta com a roupa que ele estava usando, mas mesmo eu prevendo aquilo, decidi ignorar meu instinto, o que foi um grave erro.

   O trombadinha nos abordou pedindo por nossos celulares. Felizmente, meu irmão não carrega nada com ele. Mas o filho de uma put* teve a audácia de apalpar os bolsos do meu irmão na minha frente, segurando um cabo minúsculo que estava dentro do short dele, que parecia mais um cabo de faca de passar manteiga, ou o pênis minúsculo que ele deve ter.

   Eu tava apavorada, mas ver alguém tentar ameaçar um familiar me deixou possessa de raiva. Puxei meu irmão pra trás de mim e falei pro trombadinha não encostar mais nele. Você sabe que um bosta tem atitude de um bosta, ele fez cara de bravo, nos xingou de filhos da put* e saiu correndo.

   Agora a parte interessante: eu estava o tempo todo com o meu celular na mão, mas o cara era tão burro, mas tão burro, que não viu. Quando eu notei que eu tava de frente com uma mula, passei o celular pra trás, ao mesmo tempo que eu puxei meu irmão. E O CARA NÃO DESCONFIOU! Nem quando ele passou do meu lado pra ir embora!!! Estamos lidando com um sério caso de "quero roubar, mas não sei como".



   Só que a história não acaba aí! Não, não poderia acabar assim. Salvei o celular do ladrão, mas não salvei o celular de mim mesma. Quando fui ligar pra polícia, logo depois do ocorrido, eu estava tão assustada, que meu corpo todo tremia e eu gaguejava. Numa dessas brincadeiras de Mal de Parkinson, eu derrubei meu celular no chão. A tela não quebrou, o touch funciona, MAS O LED FICA TREMENDO, mesmo que não aparente ter quebrado por dentro.

   Resumo: apesar de estar na garantia, se enquadra como descuido, mesmo após o episódio do roubo. O policial que me atendeu não estava nem um pouco interessado no meu caso, ou seja, a ligação que fiz, que f*deu com meu celular, não me adiantou de nada. Terei que pagar 280 reais pra assistência técnica. E terminei o dia sem o meu milkshake.

ÚLTIMA FOTO DA RAVEN FAZENDO CARA DE "FAZER O QUE?"

   Enfim, espero que tenham gostado de mais uma de minhas histórias. Sim, elas são compridas, mas creio que conseguimos tirar uma lição de vida de tudo isso. Que seria: "pobre só se f*de mesmo". Obrigada pela atenção. E não se esqueçam de deixarem seus comentários pra eu continuar acompanhando a opinião de vocês.

Deixando o link do episódio anterior:
Raven e seus causos #1